domingo, 9 de junho de 2013

TEORIA DO SENTIDO E REFERÊNCIA. A maior contribuição de Frege a filosofia, está na filosofia da linguagem, sobre tudo na interpretação da natureza do significado. Este termo (significado), por sinal, é o conceito em que os filósofos da linguagem deram grande atenção. Comparando a metafísica seria como o conceito “ser”, ou seja, um termo central. O centro de sua teoria sobre o sentido foi apresentado no artigo: “Sobre o sentido e a referência”. Seu pensamento se baseia na distinção, que é feita por ele, entre “Sinn” e “Bedeutung”. Estes termos assumem um novo significado “que a não tem em Alemão vulgar e é por isso que não é fácil para nós encontrar uma tradução adequada” (Kneale, 1991, p. 500). Para Sinn a melhor tradução seria o termo significado, mas acabou-se usando o termo sentido. Já para Bedeutung a forma mais exata seria significação, embora se use o termo referência. O problema inicial da teoria de Frege é a dificuldade em interpretar a natureza de algumas frases de identidade, como “a = b”. Que podem ser matemáticas do tipo “7 + 5 = 12”, elas existem também em nossa linguagem empírica, como “o monte Everest é o Chomolungma”. “Característico dessas frases é que os nomes ou expressões nominais “a” e “b” se referem sempre a uma mesma coisa: um número, um mesmo planeta, uma mesma montanha” (Costa, 2003, p. 12). Essas frases expressam a identidade, mas que identidade é essa que tais frases afirmam? Primeiramente surgem duas alternativas: a relação de identidade entre objetos ou a relação de identidade entre os nomes de objetos. Caso seja a relação de identidade entre objetos, quando digo “a = b” acabo dizendo que “a = a”, nesse caso se tem uma identidade de um objeto consigo mesmo. Mas não é bem assim, por exemplo, nos nomes “Héspero” e “Fósforo”, esses são nomes que os antigos deram a Vênus: Héspero era o primeiro planeta a ser visto durante algumas épocas do ano (estrela da tarde), enquanto Fósforo era usado para o último a desaparecer durante outras épocas do ano (estrela da manhã) . Ambos os nomes eram usados para o mesmo planeta, que é Vênus. Desta forma quando digo “Fósforo é Héspero” não é sinônimo de “Fósforo é Fósforo”, quando digo a alguém que Héspero é Fósforo estou informando o que outra pessoa pode desconhecer. Isso não aconteceria ao ter feito a redundante afirmação Fósforo é Fósforo, que na verdade se apresenta vazia de informação. Na segunda hipótese, na identidade entre os nomes dos objetos, apresentando-se como sinais idênticos e formas diferentes, como no caso “a = ά”, ou “chuva = rain”. “Nesse caso uma frase como “a=b” diria apenas que temos para o mesmo objeto uma mera diferença de nomenclatura” (Costa, 2003, p. 13). Mas essa relação se mostra arbitrária, e dando conta apenas de nossas convenções, não dando conta de explicar como uma frase dá conta de veicular informações. “O ponto desse argumento é mostrar que, para explicar por que frases de identidade podem ser informativas, precisamos recorrer a um terceiro elemento, que não é nem o objeto nem o sinal. Esse elemento é o que Frege chama de sentido, por ele caracterizado como “o modo de se dar do objeto”.” (Costa, 2003, p. 13). Deste modo quando estou a falar da “estrela da manhã” e da “estrela da tarde” estou a falar do mesmo objeto, ou seja, o planeta Vênus. Para Frege isso acaba justificando a identidade, que não está nem no nome e nem no objeto, mas no sentido. Desta forma o que muda é o modo como o objeto é por eles referido, em estrela da manhã é o mais forte corpo celeste na manhã enquanto na estrela da tarde é o mais forte corpo celeste do crepúsculo. “Dado isso, que os nomes próprios “Héspero” e “Fósforo” diferem em sentido mas são iguais em referência, estabelece-se que a sentença “ Héspero é Héspero” e “Héspero é Fósforo” diferem em sentido (expressam pensamentos diferentes), mas são iguais em referência (possuem o mesmo valor de verdade)” (BUNNIN, 2002, p. 501) Ele aplica a distinção entre sentido e referência não só a nomes, mas também aos predicados e as frases.

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