O Princípio Dialógico
O relacionamento com o ser humano é, antes de tudo, um processo de conquista, de aproximação, de conversa. É um diálogo que pode se aprofundar ou não, dependendo da sintonia, da vibração, da harmonia entre as pessoas. Esse princípio dialógico é a base essencial de toda verdadeira amizade e de todo bom relacionamento. Como ensina Carl Jung, "o encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas se transformam." É nessa troca, nesse encontro com o outro, que nós crescemos, nos transformamos e nos descobrimos.
Mas somos também um processo de diversidade. Gostos diferentes, saberes que se compartilham, ideias que se proferem — nem sempre todos concordam. Aqui surge um grande desafio: quando alguém pensa de forma diferente, quando é refutado, muitas vezes passa a ser visto de forma pejorativa. Esquecemo-nos de que o debate deve ser construtivo, e não destrutivo. Sigmund Freud nos lembra que "o outro não é apenas um objeto para nós, mas também um sujeito como nós, com os mesmos desejos, medos e limitações." Quando partimos para o ataque pessoal a falácia do ad hominem deixamos de debater a ideia e passamos a ferir a pessoa. Jacques Lacan reforça que "o respeito ao outro começa quando reconhecemos que ele é um sujeito único, com sua própria história, que não precisa ser igual a nós para ser digno."
As diferenças de ideologia, de crença, de preferências — tudo isso faz parte da particularidade de cada sujeito. E essa particularidade deve ser respeitada. Como bem diz Gildo César: "Cada ser carrega em si um universo inteiro que ninguém mais possui." A dignidade do ser humano está acima de qualquer discordância. Aquilo que alguém acredita, contempla e enxerga isso faz parte de sua essência, e essa essência merece respeito.
Todos estamos em movimento. Alguns compreendem mais rápido, outros levam mais tempo, e outros talvez não queiram enxergar e isso também faz parte do caminho de cada um. Por isso, a paciência é uma das maiores virtudes nas relações. Precisamos ser pacientes com o outro, pois nem todos conseguem alcançar o mesmo nível de visão, a mesma clareza, na mesma velocidade. Cada um caminha conforme a sua luz, o seu tempo, a sua verdade.
E aqui trazemos um belo ensinamento da sabedoria budista: "Se o copo já está cheio, não é possível acrescentar nada. Aquele que diz 'eu já sei tudo', tem o copo cheio e diante dele, não há nada que possamos oferecer." O verdadeiro aprendizado começa quando reconhecemos que ainda temos espaço, que ainda podemos aprender, que o outro pode nos ensinar algo que ainda não vimos. Como dizia o Buda: "Quando você está vazio, você pode conter tudo. Quando está cheio, nada mais cabe."
Portanto, a essência e a beleza do ser humano residem exatamente nisso: na nossa diversidade, na nossa capacidade de dialogar sem destruir, de respeitar sem concordar, e de permanecer sempre com o coração aberto um coração que nunca diz "eu sei tudo", mas sempre diz: "quero aprender com você."