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domingo, 9 de junho de 2013
RELIGIÃO E ÉTICA
“O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que o cerca levaram o homem a fundar diversos sistemas de crenças, cerimônias e cultos -- muitas vezes centrados na figura de um ente supremo -- que o ajudam a compreender o significado último de sua própria natureza. Mitos, superstições ou ritos mágicos que as sociedades primitivas teceram em torno de uma existência sobrenatural, inatingível pela razão, equivaleram à crença num ser superior e ao desejo de comunhão com ele, nas primeiras formas de religião”.
São várias as opiniões que surgem a respeito da Religião. Eis algumas delas.
Etimologicamente: Religião vem do verbo latino ‘religare’, que quer dizer “ligar novamente”. (PIAZZA, 1983, p.20) Em outras palavras: "ligar", "apertar", "atar", sempre fazendo referência a laços que unam o homem à divindade. E também, o conjunto de relações teóricas e práticas estabelecidas entre os homens e uma potência superior, à qual se rende culto, individual ou coletivo, por seu caráter divino e sagrado.
Filosoficamente: a Religião recebe as mais diversas definições, comprometidas com as posições epistemológicas de cada corrente filosófica, a ponto de ser tachada de “alienação” pelo materialismo ateu. (PIAZZA, 1983, p. 21)
Psicologicamente: a Religião é uma atitude de reação frente à contingência e a relatividade do mundo, que leva o homem a refugiar-se em um Absoluto de tipo sacral. (PIAZZA, 1983, p. 21)
Sociologicamente: a Religião identifica-se com as estruturas criadas pela sociedade humana: sacerdócio hierarquizado, cultos formalizados, doutrinas dogmatizadas... (PIAZZA, 1983, p. 21)
Teologicamente: a Religião pode ser identificada com a Fé, ou pode ser contraposta à Fé, segundo nela se vê uma atitude de reverente submissão a Deus, ou um esforço mágico para manipular as forças divinas. Karl Barth é de opinião que a “Revelação Cristã é o aniquilamento de Religião”, porque vê nesta, no seu culto exteriorizado, o esforço do homem para apossar-se de Deus... (PIAZZA, 1983, p.21)
A Religião torna-se algo profundamente humano, pois é radicada na própria natureza do homem. Só o ser humano é religioso, e nenhum outro animal.
Independente da origem, o termo é adotado para designar qualquer conjunto de crenças e valores que compõem a fé de determinada pessoa ou conjunto de pessoas. Cada religião inspira certas normas e motiva certas práticas.
Passamos agora para a diferenciação de alguns termos que podem levar a uma confusão se não forem esclarecidos: seita, heresia, mitologia e mística.
RELIGIÃO deriva do termo latino "Re-Ligar", que significa "ligação" com o divino. Ligação do que está aqui com o que está lá. Essa definição engloba necessariamente qualquer forma de aspecto místico e religioso, abrangendo seitas, mitologias e quaisquer outras doutrinas ou formas de pensamento que tenham como característica fundamental um conteúdo metafísico, ou seja, além do mundo físico.
SEITA, derivado da palavra latina "Secta", nada mais é do que um segmento minoritário que se diferencia das crenças majoritárias, mas como tal, também, muitos entendem como religião.
HERESIA é outro termo mal compreendido. Termo que designa, em diversas religiões, as idéias contrárias à doutrina adotada e difundida pelas autoridades eclesiásticas.
A MITOLOGIA é uma coleção de contos e lendas com uma concepção mística em comum, sendo parte integrante da maioria das religiões, mas suas formas variam grandemente dependendo da estrutura fundamental da crença religiosa. Não há religião sem mitos, mas podem existir mitos que não participem de uma religião.
MÍSTICA pode ser entendida como qualquer coisa que diga respeito a um plano sobre material. Um "Mistério".
Não há registro em qualquer estudo por parte da História, Antropologia, Sociologia ou qualquer outra "ciência" social, de um grupamento humano em qualquer época que não tenha professado algum tipo de crença religiosa. As religiões são então um fenômeno inerente à cultura humana, assim como as artes e técnicas.
Podem ser classificadas como: panteístas, politeístas, monoteístas e ateístas.
As Religiões PANTEÍSTAS são as mais antigas, dominando em sociedades menores e mais "primitivas". Tanto nos primórdios da civilização mesopotâmica, européia e asiática, quanto nas culturas das Américas, África e Oceania. As religiões primitivas são PANTEÍSTAS, acredita-se num grande "Deus-Natureza". Todos os elementos naturais são divinizados, se atribuí "inteligências" espirituais ao vento, a água, fogo, populações animais e etc.
As Religiões POLITEÍSTAS por vezes se confundem com as Panteístas, mas surgem num estágio posterior do desenvolvimento de uma cultura. Quanto mais a sociedade se torna complexa, mais o Panteísmo vai se tornando Politeísmo.
Já as MONOTEÍSTAS são mais recentes, e atualmente as mais disseminadas, o Monoteísmo quantitativamente ainda domina mais da metade da humanidade.
E embora possa parecer estranho, existem religiões ATEÍSTAS, que negam a existência de um ser supremo central, embora possam admitir a existência de entidades espirituais diversas. Essas religiões geralmente surgem como uma reação a um sistema religioso Monoteísta ou pelo menos Politeísta, e em muitos aspectos se confunde com o Panteísmo embora possua características exclusivas.
Essa divisão também traça uma hierarquia de rebuscamento filosófico nas religiões. As Panteístas por serem as mais antigas, não têm Livros Sagrados ou qualquer estabelecimento mais sólido do que a tradição oral, embora na atualidade o renascimento panteísta esteja mudando isso. Já as politeístas muitas vezes possuem registros de suas lendas e mitos em versão escrita, mas Nenhuma possui uma REVELAÇÃO propriamente dita. Isto é um privilégio do Monoteísmo. Todas as grandes religiões monoteístas possuem sua Revelação Divina em forma de Livro Sagrado. As Ateístas também possuem seus livros guias, mas por não acreditarem num Deus pessoal, não tem o peso dogmático de uma revelação divina, sendo vistas em geral como tratados filosóficos.
Mencionando uma segunda parte deste trabalho, vemos que "a ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta" (VALLS, 1987, p.7).
Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda, ÉTICA é "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto".
Alguns diferenciam ética e moral de vários modos:
1. Ética é princípio, moral são aspectos de condutas específicas;
2. Ética é permanente, moral é temporal;
3. Ética é universal, moral é cultural;
4. Ética é regra, moral é conduta da regra;
5. Ética é teoria, moral é prática.
Etimologicamente falando, ética vem do grego "ethos", e tem seu correlato no latim "morale", com o mesmo significado: Conduta, ou relativo aos costumes. Podemos concluir que etimologicamente ética e moral são palavras sinônimas.
A pretensa distinção entre a ética e a moral é intrinsecamente confusa e não tem qualquer utilidade. A pretensa distinção seria a seguinte: a ética seria uma reflexão filosófica sobre a moral. A moral seria os costumes, os hábitos, os comportamentos dos seres humanos.
Quando se pergunta ‘o que é ética?’, “pode-se dizer que a ética é a disciplina que procura responder às seguintes questões: como e por que julgamos que uma ação é moralmente errada ou correta?, e que critérios devem orientar esse julgamento?” (BORGES, DALL’AGNOL, DUTRA, 2002, p.7)
A ética divide-se em três campos de estudo: metaética, ética normativa e ética aplicada. A ética normativa pretende responder a perguntas como “o que devemos fazer?”, ou, de forma mais ampla, “qual a melhor forma de viver bem?”.
Diferente da ética normativa, a metaética não pretende determinar o que devemos fazer, mas investiga a natureza dos princípios morais, indagando se são objetos e absolutos os preceitos defendidos pelas diversas teorias da ética, ou se são de fato inteligíveis, ou, ainda, se podem ser verdadeiros esses princípios éticos num mundo sem Deus.
A ética aplicada trata de problemas práticos como o aborto ou a eutanásia, os direitos dos animais, ou a igualdade.
As religiões promoveram ações antiéticas ao longo da história. É algo que não é necessário mais do que algumas palavras para qualquer um com um mínimo de conhecimento histórico. Cruzadas e Guerras Santas em Geral, Inquisição e Caça as Bruxas, Conversões Forçadas, etc.
Muitos hão de alegar, não sem razão, que tais eventos se deram pela negligência da observação das próprias normas religiosas. Algo difícil de defender quando vemos diversas passagens na Bíblia ou no Alcorão que de fato apregoam tais posturas, ainda que sejam contrabalançadas por outras diametralmente opostas. Mas mesmo fora disso, nada muda o fato de que os sistemas religiosos parecem incapazes de deter tais processos.
“A análise do ato ético, do agir humano consciente e responsável, mostra que a exigência ética se impõe a todo ser humano, independentemente ou antes de uma interpretação religiosa explícita.” (CNBB, doc. 50, n. 93)
O próprio Jesus, quando apresenta a lei do amor ao próximo, que fazia através de parábolas, aponta a descrição do agir do samaritano (Lc 10, 25-37) e do Zaqueu, (Mt 25,31-46) como um agir que não é ditado, diretamente, pela fé ou pelo amor a Deus.
E com essas e outras estórias, parábolas que Jesus contava, podemos questionar seguindo a reflexão feita no documento da CNBB que usamos para inspiração. De quem era a voz que surge a cada ser humano indicando para “agir bem?” Uma voz que está além da nossa capacidade. Que relação existe entre minha experiência ética e a interpretação religiosa da realidade?
Enfim, “é a fé religiosa – não apenas católica, mas também moldada pelas tradições indígenas e africanas – que, de fato, tem sustentado a esperança de vida do nosso povo e lhe tem dado ânimo para assumir suas responsabilidades éticas, mesmo em condições extremamente adversas de opressão e sofrimento”.(CNBB, doc. 50, p. 43)
CONCLUSÃO
O principal objetivo é procurar orientar a ação dos indivíduos para uma vida voltada para o bem, para a virtude e a harmonia com a natureza.
Em termos éticos e morais, o homem, ao questionar-se como deve agir, não pode mais se satisfazer com a resposta que manda agir de acordo com a natureza. Deve adotar uma nova posição.
A religião trouxe, sem dúvida alguma, um grande progresso à humanidade. A meta da vida moral foi colocada no mais alto, numa santidade, sinônimo de um amor perfeito, e que deveria ser buscada, mesmo que fosse inatingível. Claro que também muitos fanatismos religiosos ajudaram a obscurecer a mensagem ética profunda da liberdade, do amor, da fraternidade universal.
Sendo assim, é preciso refletir que, independentemente de religião, somos criaturas inteligentes capazes de amar eticamente o próximo de acordo como cada um de nós deve ser amado. Lembrando que não podemos tirar a vida de uma pessoa, pois não conferimos a ela este dom supremo. Ou mesmo, simplesmente maltrata-la com formas grosseiras a ponto de querer a sua destruição.
Enquanto não encontrar uma sociedade unida a fim de conquistar o seu objetivo em querer encontrar sua felicidade, sem pisar em qualquer pessoa, seja política ou socialmente, não se viverá livre dos prejuízos que são encontrados.
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