É preciso amar as pessoas Como se não houvesse amanhã Por que se você parar Prá pensar Na verdade não há...
domingo, 9 de junho de 2013
Filosofia da Religião
De acordo com Hobbes só no homem podemos encontrar crenças religiosas e que esta semente, a religião, não é observada em nenhuma das demais criaturas vivas. Hobbes diz que é próprio do ser humano buscar compreender os acontecimentos que presencia, uns buscam compreende-los com mais regularidade do que outros, mas em geral todos querem compreender as razões de sua sorte ou azar. É também comum ao homem pensar que para que algo tenha acontecido foi necessário uma causa que o precedesse; através da memória o homem recorda-se dessas causas, quando ele não conseguiu mais recordar-se das causas originais, então colocou-se a sugerir causas que derivaram de sua fantasia ou aderiu a opinião de outros homens, os quais julga serem mais sábios que ele.
Segundo Hobbes, todos os homens preocupam-se com os tempos vindouros, e por isso passam o dia com o coração repleto de medo das diversas calamidades que podem lhe ocorrer, nas palavras do próprio: “... preocupado com os tempos futuros, tem durante todo o dia seu coração ameaçado pelo medo da morte, da pobreza ou de outras calamidades, e não encontra repouso nem paz para sua ansiedade a não ser no sono”. Para Hobbes quando o homem não pode ver a causa da sua boa ou ma sorte ele a atribui a um ente invisível, e que teria sido neste sentido que alguns poetas antigos afirmaram que, pelo medo dos homens, foram criados os deuses.
Ainda segundo Hobbes, a semente natural da religião estaria alicerçada nestes quatro pontos, a fé nos fantasmas, o desconhecimento das causas secundárias, a veneração pelo que se tem medo e a aceitação de acontecimentos ocasionais como prognosticados. Esta semente teria se desenvolvido de inúmeras maneiras, devido à grande diferença existente entre os homens.
Hobbes afirma que estas sementes teriam sido preservadas por duas espécies de homens. A dos que a teriam organizado de acordo com sua própria vontade, e a dos que a teriam feito sob as ordens e preceitos divinos. Ambos os modos tinham a intenção de fazer com que os que neles acreditavam tendessem mais para a paz, para a obediência das leis, enfim, das coisas que manteriam uma sociedade feliz e pacificada.
De acordo com Hobbes, com a intenção de agradar a estes deuses, que entre os gentios eram muitos, atribuíram-lhes seus próprios feitos como sendo intervenções divinais, dotaram-os com propriedades e outros bens, destinados exclusivamente, ou seja, consagrados ao uso dos seus deuses. De acordo com Hobbes, alguns homens que, por desfrutarem de crédito frente a outros homens, podem, se usarem de sutileza, obterem vantagens e proveitos apelando para a ignorância e o medo de seus crentes.
Para Hobbes, os primeiros organizadores de Estados no meio dos gentios tinham um único objetivo, fazer com que o povo permanecesse na paz e na obediência. Para garantir isso inseriram na mente do povo a crença de que as ordens que promulgavam sobre a religião eram provenientes de um deus e não deles mesmos, e também que, os promulgadores eram de natureza superior a dos outros homens, para, que desta forma, suas ordens fossem aceitas sem muitos questionamentos.
Hobbes diz que estes homens tiveram a cautela de dizer aos outros que as mesmas coisas que a lei proibia, também desagradavam aos deuses. Segundo Hobbes, desta maneira, ocupados pelos cortejos e celebrações que faziam em honra dos seus deuses, o povo não necessitava nada mais que pão.
Ele afirma que era por isso que os romanos não tinham contraposição ou receio a qualquer religião que se estabelecesse no império, ainda que fosse na grande cidade de Roma, com exceção se os mandamentos desta religião fossem incompatíveis com os do governo.
Hobbes contempla o fato de que quando Deus se revelou sobrenaturalmente ele não teria ditado apenas regras relativas ao relacionamento com ele próprio, mas também regras acerca de como deveriam agir os homens entre si, deixando desta forma incluídos no seu reino a política e as demais ordens civis, excluindo a possibilidade de existir diferenças entre o poder humano e o divino.
Para nosso autor, a fama de sabedoria, a reputação de sinceridade e a reputação de amor poderiam ser perdidas, caso os que estão a frente do poder religioso estabelecessem dogmas contraditórios, exigissem fé em coisas que eles mesmos não acreditam e manifestassem interesses pessoais como, por exemplo, aquisição de riquezas. Sendo assim, para estes homens demonstrarem que de fato eram eleitos pelos deuses, caberia a eles a realização de profecias verdadeiras e milagres, sendo estes sinais causadores de grande felicidade aos crentes.
São apontados por Hobbes alguns exemplos que ocorreram no Antigo Testamento que comprovam a descrença dos homens nos deuses quando os representantes destes deixam a desejar com suas funções sagradas.
Hobbes atribui a rápida propagação que o cristianismo obteve logo no inicio de sua fundação ao desleixo que os sacerdotes dos gentios daquele tempo tinham demonstrado aos seus fiéis. E afirma também ter sido o mesmo motivo que fez com que algum tempo depois o cristianismo fosse desprezado na Inglaterra e em muitos outros países.
Hobbes finaliza dizendo que todas as mudanças de crenças são causadas pela falta de homens verdadeiramente comprometidos com o plano dos deuses a quem representam.
Referência
HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martin Claret, 2003.
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