domingo, 9 de junho de 2013

A CONCEPÇÃO DE DEUS EM SANTO ANSELMO INTRODUÇÃO Neste trabalho que irei apresentar apontarei a importância da existência de Deus na concepção de Santo Anselmo. O filósofo com seus argumentos busca provar a existência de Deus através das formas a priori e a posteriori. Sua principal teoria é também conhecida como o argumento ontológico de Santo Anselmo, onde tenta mostrar que a existência de Deus se segue necessariamente da definição de Deus como o Ser Supremo. Santo Anselmo entendia Deus como “aquilo além do qual nada maior pode ser pensado [ou concebido]” (McGRATH, A. p. 116), sendo que além de Deus podemos até ter outros grandes conceitos, mas devido tamanha grandiosidade que é este nenhum outro maior venha possível de ser pensado. A CONCEPÇÃO DE DEUS EM SANTO ANSELMO Santo Anselmo foi um dos investigadores do problema de Deus na Filosofia contemporânea. Sua teoria ainda é muito aceita nos dias atuais, devido ao poder de penetração que seus argumentos tiveram na época e que depois de tanto tempo continuam fortes e vivazes. É considerado o pai da escolástica. Sua concepção de Deus foi demonstrada ao apresentar suas vias racionais para a existência do mesmo. Buscou penetrar no assunto com a luz da razão as verdades da fé. Para provar a existência de Deus usou de formas a priori e a posteriori. As formas a priori (que não necessita recorrer à experiência) encontram-se na obra proslogium em que parte da definição de Deus para deduzir dela sua existência. Ele afirma que Deus é aquele ser que não se pode pensar nenhum maior do que ele, pois, ‘O ser do qual não é possível pensar nada maior’ não pode existir somente na inteligência. Se, pois, existisse apenas na inteligência, poder-se-ia pensar que há outro ser existente também na realidade; e que seria maior. Se, portanto, ‘o ser maior do qual não é possível pensar nada maior’ existisse somente na inteligência, este mesmo ser, do qual não se pode pensar nada maior, tornar-se-ia o ser do qual é possível, ao contrário, pensar algo maior: o que, certamente é absurdo. Logo, ‘o ser do qual não se pode pensar nada maior’ existe, sem dúvida, na inteligência e na realidade (ANSELMO, S. p. 108). Podemos assim dizer que “o que existe na realidade é maior ou mais perfeito do que existe só no intelecto.” (MONDIN, B. p.156). Logo, Deus não somente existe em nosso intelecto. Se assim fosse, não seria o maior e o mais perfeito, pois para ser perfeito ele precisa existir. Através desse argumento Santo Anselmo quer nos apresentar que Deus deve necessariamente existir. Se, pois, Ele é o ser no qual não se pode pensar alguma coisa maior Ele deve ter todas as propriedades possíveis: Onisciente, Onipotente, Onipresente, etc. (lembrando que a onipresença implica em presença em todo lugar). Se ele tem tais propriedades ele não pode existir somente em meu intelecto, mas também na realidade, e por isso ele é o maior do qual se pode pensar alguma coisa. Podemos pôr em xeque a existência de Deus ao afirmarmos assim como o salmista: “Deus não existe” (BÍBLIA, A.T. Salmo 14(13), 1). Isso seria uma falha, pois já estamos deduzindo sua existência através de seu próprio conceito: Deus já está existindo, mesmo que seja somente em meu intelecto e que há coisas maiores do que Ele. Se, pois aquilo que existe na realidade é maior do que existe no intelecto, Deus não passaria de uma existência qualquer. Mas isso não quer dizer que ele não exista. O primeiro a criticar esta argumento foi o monge Gaunilon, escrevendo à Anselmo que não podemos definir a existência de Deus através do Ser perfeitíssimo. Se assim fosse, poderíamos imaginar uma ilha perfeitíssima e que ela deveria existir também. Anselmo respondeu esta objeção com o seguinte argumento: A possibilidade de pensar a existência de tal ilha não implica em sua existência real. Isso não passa de um exemplo perfeito de uma categoria particular. Já no caso de Deus a sua existência real implica em pensá-Lo como o ser mais perfeito de todos, contendo todas as propriedades possíveis. Deus não é apenas um exemplo perfeito de uma categoria, mas a mais perfeita de todas as categorias, e as categorias nas quais estamos O avaliando não podem ser as mesmas das “ilhas perfeitas”. “Faz parte da natureza de Deus transcender todas as coisas” (McGRATH, A. p. 119). Outros que seguiram a objeção à teoria de Anselmo foram Tomás de Aquino, Kant e Bertrand Russell, afirmando que essa teoria não pode passar do campo lógico ao ontológico, não podendo deduzir a existência de Deus através das formas a priori da razão. A mesma teoria teve aceitação por São Boaventura, Descartes e Leibniz. Nas formas a posteriori, encontradas na obra Monologium, prova a existência de Deus a partir do mundo: a bondade, grandeza, existência em virtude de alguma coisa e existência em diversos graus. Isso demonstra que existe um Ser necessário e perfeito que seja a causa de todas as coisas criadas. Passando aqui cada passo das formas a posteriori, percebemos que Deus deve ser necessariamente, o Ser sumamente bom. Se há algo que tenha uma bondade maior que Deus, esse ser passa a ocupar o lugar de Deus, fazendo que Deus não seja Deus, mas sim algo criado. Se as coisas são boas é prova de que existe a bondade absoluta. Deus também é o Ser maior que possa existir. Ele é o Criador e é o maior de todos os seres. A variedade da grandeza (qualitativa) exige a suma grandeza da qual todas as outras são uma participação gradual. Neste caso, o Criador deve, necessariamente, ser maior que a criatura. Se Deus é o Criador de todas as coisas Ele deve ser o mais perfeito de todos os seres e é a causa de todas as coisas criadas. Ele deve existir em virtude de alguma coisa. “... nada existe em virtude de nada, isto é, do nada não provém nada” (REALE, G. p. 496). Com essa afirmação temos as conseqüências de sua existência. Não pode alguma coisa ou ser existir para o nada. Portando Deus existe em virtude de alguma coisa. Nesse caso, ou admitimos a existência de Deus em função das coisas que existem, ou nada existe. Se Deus existe e é perfeito, existem outros seres que podemos colocar em escalas de perfeição. Deus é a suma perfeição e as outras coisas existem em escalas menores de perfeição. Ora, se existem coisas com altos níveis de perfeição, deve haver alho que as tenha criado, que deve necessariamente ser a suma perfeição, uma perfeição primeira e absoluta. Podemos perceber que a influência de Deus foi fundamental da vida de Santo Anselmo. Passou por muito tempo tentando apresentar suas provas da existência de Deus e aceitando as críticas para poder avaliar seus argumentos e torná-los cada vez mais fortes para demonstrar as evidências da existência de Deus. Uma das principais atividades de sua vida foi apresentar as provas da existência de Deus e suas conseqüências na vida do ser humano medieval. Ele apresenta quão auto-evidente é para ele a idéia de Deus e mostra as possíveis implicações dessa experiência. CONCLUSÃO Neste trabalho busquei esclarecer as vias para provar a existência de Deus, segundo Santo Anselmo de Cantuária. O mesmo utilizou-se de formas a priori e a posteriori para tentar explicar e provar a existência de Deus. Nas formas a priori (que não se torna necessário o uso da experiência) Santo Anselmo apresenta seu argumento ontológico afirmando que Deus existe através de seu próprio conceito. Já nas formas a posteriori (método dedutivo) apresenta quatro provas: a suprema bondade, a grandeza qualitativa, o ser existente em escalas de perfeição e a existência em virtude de alguma coisa.

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