É preciso amar as pessoas Como se não houvesse amanhã Por que se você parar Prá pensar Na verdade não há...
domingo, 9 de junho de 2013
Ciência e Religião
Este trabalho pretende tratar da relação entre ciência e religião, mostrando para tanto os modos de conflitos entre ambas, e também os modos de diálogo. E a primeira pergunta é: poderia ciência e religião se relacionar? Antes é preciso esclarecer o que significa ciência, bem como também religião, ou seja, tentar ao menos dar uma noção de ambas, para que seja este o ponto de partida.
Há a intenção de dar uma noção geral, pois existem inúmeras disciplinas científicas, cada qual com sua esfera e método próprio. Sendo que a relação entre física e religião é diferente da relação entre biologia e religião. Mas, também, é preciso entender que há diferentes religiões que suscitam diferentes atitudes perante a ciência. Não dá para dizer que cristianismo e islamismo tenham a mesma afinidade com a física. Daí também dar uma noção geral do que seria religião.
De um modo geral podemos dizer que religião é um conjunto de ritos, leis, doutrinas, crenças, relacionadas a um Ser Superior absoluto: “... parece haver, pelo menos, certa medida de concordância real de que a religião seja como for concebida, envolve de certa maneira crenças e comportamentos relacionados com um mundo sobrenatural de seres divinos ou espirituais”. (McGrath, 1999, p. 46). Ou “O homem sabe-se relacionado e determinado por algo que é maior que ele mesmo.” (Zilles, 1937, p. 6). Neste sentido, pode-se dizer que a religião leva o homem a se ocupar com o sentido último da pessoa, da história, do mundo, leva homem a entender a realidade a partir do divino.
A palavra ciência vem do latin “scientia”, que significa conhecimento. Amplia-se mais o conceito, que não é o único sobre ciência, dizendo que “ciência é o conjunto de descrições, interpretações, teorias, leis, modelos, etc., visando ao conhecimento de uma parcela da realidade, em contínua ampliação e renovação, que resulta da aplicação deliberada de uma metodologia especial (metodologia científica).” (Maia, 1992, p. 24).
Pode-se também entender ciência como o processo de recolha e validação de informações sobre a realidade. Porém, tal validação se dá somente mediante os meios científicos, como já citado, e acima de tudo pelo princípio de verificabilidade.
Ao longo da historia ciência e religião tiveram seus pontos de diálogo ou de conflito, sendo que o modo mais conhecido do encontro entre ciência e religião é o conflito. Tal modelo antagonista ainda existe em nossa realidade.
Esse modelo teve seu ponto inicial com duas obras: History of conflict between Religion and Science , de 1874, do autor John Willian Droper, e History of the warfare of science with theology in Christendon , de 1896, do autor Dickson White.
A obra de Draper indicava as ciências naturais como libertadoras da humanidade, uma força expansiva, própria do intelecto humano, contra a repressão que vinha do pensamento religioso tradicional. Da mesma forma a obra de White dava margem à idéia de inimizade da ciência com a religião. Aos poucos no imaginário popular foi se fixando a metáfora da luta.
Soma-se a este o positivismo de Augusto Comte, movimentos surgido no século XIX. Segundo esta visão “... a razão(ou a ciência) deve ocupar o lugar da religião...”(Sell, 2002, p. 32). Para este seguimento a ciência seria a única que possibilitaria a explicação última e legítima da realidade. Sendo que a religião conduz o homem ao engano. Pois, para Comte a evolução do conhecimento humano é relacionada à evolução humana, e assim, a religião seria a infância da humanidade e a ciência representaria a maturidade, o seu ponto máximo de desenvolvimento intelectual.
Além do que a ciência com seu princípio de verificabilidade poderia argumentar de que Deus, o ponto fundamental da religião, não pode ser verificado.
Importante notar que é na idade média que muitas descobertas científicas tiveram implicações no âmbito religioso, no caso a Teoria do Heliocentrismo do monge polonês Nicolau Copérnico (1743-1543) que via o sol como centro do universo, e não a terra como acreditavam alguns religiosos, que fundamentavam suas crenças nas Sagradas Escrituras. Com isso, percebe-se que vão surgindo elementos que caracterizam a oposição entre ciência e religião.
Porém, o centro da disputa entre ciência e religião parece ganhar força a partir de Charles Darwin, nascido em 1809, que expressa na sua obra “A Origem das Espécies”, de 1859, a teoria da evolução biológica em que as espécies evoluem a partir de outras espécies e de que a seleção natural é o principal mecanismo que produz essas mudanças.
Mas, o objetivo de Darwin não era o de ir contra os ensinamentos religiosos, e mesmo assim, vai contra os pressupostos bíblicos encontrados no livro do gênesis, onde há um relato da origem do mundo. Neste capítulo, apresenta-se a idéia de que Deus teria criado as plantas, os animais, e o homem para reinar sobre eles:
“A partir disso, acreditava-se que cada tipo de coisa tinha sido criada individualmente por Deus, que não se tinham modificado desde então e que o homem é especial e diferente de todos os outros seres vivos. Como o darwinismo alegava que as espécies mudam e que a origem da espécie humana deve ser explicada tal como se explica a das outras, supunha-se que tratasse de um ataque aos próprios fundamentos da religião”. (Tilghman, 1996, p. 137).
No começo a reação cristã não foi problemática, porém, por volta de 1920, surgiram linhas fundamentalistas que acreditavam que a evolução biológica era o grande inimigo da Bíblia e da fé cristã.
Isso pode ser melhor conhecido na obra do autor Henry Morris, intitulada “The long war agaist God”, que significa “A longa guerra contra Deus.” Nesta obra há uma critica à Teoria da Evolução, chegando ao ponto de um pastor batista declarar que o evolucionismo é uma continuação da luta de Satanás contra Deus. Tal teoria seria planejada por Satanás para destronar Deus.
Assim, vemos que tal luta não é alimentada somente por cientistas anti-religiosos, mas também por crentes anti-científicos.
Interessante notar que o autor Alistes E. McGrath faz uma analogia entre a Teoria Darwinista surgida no final do século XIX, com o conflito ciência e religião. Segundo a teoria darwiniana haveria a sobrevivência do mais apto. Da mesma forma, havia entre ciência e religião uma luta pela sobrevivência dos intelectualmente mais aptos.
No entanto, há um ponto há pontos de diálogo de ciência e religião.
Opta-se por um ponto de convergência principalmente quando muitos teólogos cristãos ocidentais argumentam que “toda verdade é verdade de Deus.” (McGrath, 1999, p. 67). Assim, as descobertas não seriam fatores de “destronação” de Deus, mas sim, de afirmação de uma presença mais pormenorizada de Deus na realidade.
O Protestantismo Liberal, surgido na Alemanha, na metade do século XIX, acredita que a fé crista precisa ser reconstruída tendo em vista o conhecimento moderno. Para tanto, a fé não deve estar distante das descobertas cientificas. Assim, Deus não estaria sendo destronado, mas entendido.
Toda esta discussão está mais perto do que se possa imaginar. Um exemplo disso é medicina que começa a incluir cada vez mais elementos religiosos nas suas práticas. O oncologista Riad Yunes, do Hospital do Câncer de São Paulo, mostra que também a ciência deve se abrir à religião, dizendo que os pacientes que tem religiosidade parecem suportar mais as dores e o tratamento.
Uma das pesquisas feitas pelo médico Harold Koening, da Universidade de Duke, Estados Unidos, apresenta resultados interessantes. Segundo esses estudos as pessoas que possuem alguma prática religiosa apresentam 40% menos chance de sofrer hipertensão, possuindo um sistema de defesa mais forte, e tem uma menor assiduidade na hospitalização. Completa esse reflexão Thomas McCormick, do departamento de história e Ética Médica da Universidade de Washington (EUA), argumentando que atualmente existem várias evidências cientificas que a fé, a oração, enfim, dimensões religiosas, ajudam o indivíduo.
Vê-se que a conseqüência da relação entre ciência e religião chega até a realidade atual. Porém, antes de qualquer posição a ser tomada é preciso estudar cada parte, sem pré-conceitos. Propósito este buscado com esta pequena pesquisa.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário