segunda-feira, 10 de junho de 2013

NEO-IDEALISMO E NEO-REALISMO 1. INTRODUÇÃO Neste trabalho queremos apresentar de modo resumido duas correntes filosóficas que se opõem. Assim, explicitaremos as características de cada corrente, o que cada uma possui, relacionando com sua origem filosófica e geográfica. Para tanto, também vamos nos ater aos principais autores de cada corrente, vendo que cada um com suas teses podem contribuir para o alargamento de tais teorias. Dada a importância desses autores, veremos também suas influências deixadas, bem como também as influências recebidas para que seus pensamentos pudessem ser desenvolvidos. O Neo-realismo e o Neo-idealismo nos lançam para pólos opostos, no qual um nega a realidade em si e outro a afirma. 2. O NEO-IDEALISMO ITALIANO 2.1 BENEDETTO CROCE Nasceu em Pescasseroli em 1866. Sua formação universitária se deteve no estudo da filosofia, história e literatura. Em 1903, iniciou a publicação de “La critica”. Em 1920, no governo de Giolitti ele foi Ministro da Educação. Quando Mussolini assumiu o poder, ele retirou-se da política. Em 1948, foi eleito senador vitalício. Morreu em Nápoles em 1952. 2.1.1 Principais Obras: * La filosofia dello spirito; em 4 volumes (1917). * La storia come pensiero e come azione (1938). * Filosofia e storiografia (1949). * Storiografia e idealità morale (1950). * Breviario di estetica (1913). * Nuovi saggi di estética (1935). * Poesia de Dante (1920). 2.1.2 O Pensamento De Croce: Croce diz que sem Hegel seria difícil a filosofia progredir, pois Hegel é a principal figura do movimento idealista que se seguiu a critica kantiana. Croce aceita a posição hegeliana que diz que a realidade é essencialmente espírito, porém é contrario a metafísica hegeliana de idéia, o que Croce propõe é uma visão circular. Esta visão teria o momento em que a arte e a religião não seriam preparatórias à filosofia, mas seriam atividade de espírito. Na doutrina crociana do espírito, o espírito realiza 4 atividades: * Estética – está em uma visão teorética. Quem a comanda é a dialética dos opostos: belo e feio. * Lógica – está em uma visão teorética. Quem a comanda é a dialética dos opostos: verdadeiro e falso. Tanto a atividade estética quanto a lógica tem por objeto o indivíduo. * Econômica – voltada à questão prática. Quem a comanda é a dialética dos opostos: útil e prejudicial. * Ética – voltada à questão prática. Quem a comanda é a dialética dos opostos: bem e mal. Ambas têm por objeto o universal. Ele afirma que as quatro atividades são irredutíveis e originárias. Croce estudou com mais intensidade a estética, dando um acento para a questão da definição, valor e autonomia da arte. Definiu a arte como intuição lírica do particular, colocando como elementos essenciais da arte: intuição – conhecimento, representação, imagem. Coloca a arte como sendo de início, intuição que se liga com a realidade, na qual ela sente e representa os objetos. Depois vem a liricidade – sentimento, estado de espírito. Indispensável o caráter lírico. A visão estética deve possuir a síntese entre intuição e sentimento. Sentimento é colocado como elemento material e imagem como sendo formal, ou seja, para ele a arte é a síntese de matéria e forma. Valor e autonomia da arte são outros aspectos da arte. O valor segundo o autor, tem caráter teórico, cognitivo; dessa forma para ele a arte é a manifestação simples do espírito teórico. A autonomia da arte é defendida por Croce, pois segundo ele, a arte não está sujeita à filosofia, moral, prática. Para ocorrer à verdadeira arte é necessário que o artista exprima o que há em si. Ele faz uma distinção entre homem – o qual deve estar a par do âmbito econômico, moral e lógico - e artista – apenas transmitir os próprios sentimentos. O que une as atividades do espírito segundo ele, é a filosofia-história (história). Tem por princípio a identidade universal e particular do intelecto e da intuição, e considera ambos que não devem ser separados. O idealismo foi quem, de certa forma, proporcionou a aproximação da filosofia e da história. Ele coloca que a função do filósofo seria a de entender os fatos históricos, compreendendo-os por meio de um juízo lógico e não juízo de valor. A exemplo de Hegel, ele coloca que a história é sempre um processo incessante. E diz que o verdadeiro sujeito da história é o espírito infinito. 2.2 GIOVANNI GENTILE Nasceu em Castelvetrano (Trapani), Itália em 1875. Estudou na Escola Normal de Pisa. Ensinou nas Universidades de Palermo, Pisa e Roma. Juntamente com Croce foi o principal representante da filosofia italiana. Por 20 anos foi colaborador de Croce. Com achegada do fascismo se separaram; Croce ficou na oposição e Gentile manteve fiel ao fascismo até o seu fim depois aderiu á Republica Social. Em 1923 lançou a reforma do ensino. Morreu fuzilado pelos guerrilheiros em abril de 1944. 2.2.1 Principais Obras: * L’atto del pensare come atto puro (1912). * La riforma della dialettica hegeliana (1913). * Teoria generale dello spirito come atto puro (1916). * Sistema di logica (1917-1921). * Genesi e struttura della società (1943). Seu sistema filosófico é o atualismo. É baseado em Hegel e Croce, porém com restrições. Para ele Hegel e Croce falham: * Hegel admite um período da qual a idéia se apresenta estranha a si mesma. * Croce faz divisões do espírito, não buscando a unidade. Gentille propõe que o Absoluto seja concebido como ato puro. Segundo ele a idéia se manifesta como espírito, à idéia é ato puro. Por sua vez, o espírito puro é ato puro - no ato puro não há distinção entre pensante e pensado. O que há é apenas o pensamento atual. Ele dizia que o objeto (natureza) é o próprio ato de pensar. Aquilo que acreditamos que é – o qual achamos que é algo separado a faculdade de conhecer – isso é o nosso conhecer. Seria ver-se como sendo outro (unidade revelada na alteridade). Ele reafirma a tese da absoluta subjetividade do real. Mesmo que esforcemos em pensar em coisas diferentes a nossa consciência, estas coisas já estão na nossa consciência mesmo que sejam externas a nós. Ele diz que até o tempo e espaço estão em nós; o eu é o eu transcendental. Com isso ele coloca que o conhecer é puro, ou seja, o conhecido é o próprio conhecer. Só há o ato presente, e esse presente não é separado do passado por um abismo e sim é um passado “maduro”. Este eu puro (Gentille) é diferente do Ser puro de Parmênides. Para Gentille o eu puro é ato que esta em constante devir. Esse eu puro sai de si mesmo. Esse eu puro segue um processo triádico - assemelha a Hegel. * Arte - momento subjetivo, a consciência de si, criando o seu próprio mundo. Esta pura forma subjetiva do pensamento ele chama de sentimento. * Religião – antítese da arte, momento objetivo, exaltação do objeto como Deus. Ao contrário de Croce, ele atribui à religião papel importante no processo educativo-desenvolvimento concreto do espírito. * Filosofia – síntese do subjetivo com o objetivo, síntese dos opostos - pensamento diferente de Croce, o qual não deu uma unidade do espírito absoluto. Gentille consegue essa unidade por meio da dialética dos opostos, através das três atividades do espírito. Quanto à questão do Estado ele coloca que, o Estado seria a encarnação suprema do espírito, sendo assim a vontade absoluta e total. Desta forma para ele, a moral (liberdade absoluta) e o direito (a objetivação) provem da vontade do Estado. Gentille coloca o Estado como sendo a realização da individualidade no meio da sociedade histórica onde de certa forma converge em dizer que seria uma comunidade espiritual. 3. O NEO-IDEALISMO INGLÊS 3.1 FRANCIS HERBERT BRADLEY (1846-1924) Bradley, representante máximo do neo-idealismo inglês, nasceu em Clapham, sudoeste de Londres. Em 1865 iniciou seus estudos na University College, em Oxford, onde se formou e onde passou a lecionar. Este autor recebeu logicamente a influência de Hegel, e mais ainda da tradição platônica, sendo que Bradley desenvolveu sua teoria tentando renovar tal tradição, configurando-se uma critica dura ao empirismo e ao positivismo. Elabora uma visão baseada na discussão entre o relativo e o absoluto, entre infinito e finito. Por isso, seguindo Hegel, é contrário à distinção entre sujeito e objeto. Ele absorve tal idéia argumentando que a consciência no seu significado fundante (O Absoluto) não é um fato entre outros, mas é a unidade dos fatos, é ele que dá sustentação para o que se mostra na aparência, e portando não pode haver qualquer coisa em si. E aqui está a critica ao positivismo, uma vez que para esta corrente a ciência é a explicação última da realidade, é ela que analisa a realidade, ela que analisa a coisa em si, pois ela é conhecimento dos fatos, o que é expressamente negado por Bradley, levando em conta que o devir, segundo o autor, não pode ser o conteúdo do saber científico. Segundo Bradley, o mundo da aparência, aquilo que nos vem pelos sentidos, é pura aparência, sendo que aparência é a aparência da realidade, e o absoluto é o que sustém tudo isso. Pois o absoluto é o que subjaz, é o pano de fundo da história, é ele que tece toda a história. É absoluto que dá sentido para o devir. Tal argumento faz parte de sua obra “Aparência e Realidade” de 1893. Contudo, o absoluto tem a necessidade da aparência para se tornar história, embora ele não seja história, pois na sua essência supra temporal ele não possui qualquer elemento histórico, mas a plasma. A própria história indica um “eu - absoluto”, numa consciência una. É a própria história que me leva a ver isto. Ele me dá indícios de uma realidade suprema que se esconde na aparência deste mundo, sendo que os fenômenos experimentados pelo ser humano são insuficientes para definir a realidade absoluta, acima de tudo porque ela apresenta contradições. Porque entre nós, a aparência, e a realidade absoluta, existem condicionamentos, como as substâncias, causa, espaço e tempo, o que impossibilita o contato direto com a realidade absoluta. E aqui se pode perceber a influência que o autor recebe de Kant, quando diz, de certa forma, que nós somente temos acesso ao fenômeno e não a coisa em si, o noumeno. E esse caráter contraditório do finito implica necessariamente na afirmação de que a realidade não é o finito, logo a realidade é o absoluto, mostrando que em Bradley não há mais o caráter epistêmico hegeliano, permanecendo o movimento que leva ao absoluto. É no absoluto que são resolvidas as contradições. Não há qualquer realidade fora do espírito. Da existência do absoluto deriva o devir. Afirmar a existência de Deus é afirmar a existência de um remédio contra o absurdo do mundo. Na aceitação e na rejeição deste pensamento é que Bertrand Russell recebe a influência de Francis Herbert Bradley. 3.2 JOSIAH ROYCE (1858-1916) Josiah Royce, filósofo americano, de origem judia, nasceu em Grass Valley, Califórnia. Graduou-se primeiramente em engenharia na universidade de Califórnia. Depois na Alemanha, freqüentou nos anos de 1875 e 1876 as universidades de Leipzig e Goettingen, lecionando de 1876 a 1878 na recém fundada universidade de John Hopkins, sendo que nessa universidade se doutorou em 1878. Também ensinou inglês na universidade de Berkeley de 1878 a 1882. Daí passou a universidade de Harward, Cambridge onde permaneceu o restou de sua vida. Ele é considerado o autor mais fecundo do neo-idealismo americano, estando ligado a instâncias pragmáticas. Seu neo-idealismo não tem como base correspondência entre idéia e uma realidade exterior, mas no fim que propõe realizar. A idéia é um instrumento de um fim, e este fim está direcionado ao absoluto. O pensamento, enquanto tal é vontade produtora da realidade. Royce sustenta que não devemos ser homens e mulheres do finito, simplesmente nos acomodando no conhecimento limitado que possuímos. O pensamento humano precisa se elevar, buscando verdades absolutas que não sejam passageiras, devendo buscar uma consciência absoluta que possa julgar o bem e o mal, sendo, assim, um julgamento eterno. Segundo o autor, essa consciência é Deus. Por sua vez, é somente em Deus que nossa individualidade e nossas fragmentações são aperfeiçoadas e completas. Nele todas as consciências finitas são conservadas, tudo aquilo que de fato existe é parte integrante de uma consciência que se representa a si mesmo. Aqui ele vai contra o ceticismo de Bradley, pois a realidade, fragmentada, finita existe, mas somente enquanto estando no todo. O eu é somente entendido no absoluto que corrige as imperfeições. As coisas são reais porque são parte do Absoluto, e desta forma, o eu tem um objetivo: ser um todo, e isso se faz na prática da vida social, segundo o autor. Neste sentido ele relaciona seu pensamento com a doutrina cristã do corpo místico. Pois nós, indivíduos não passamos de poeira ao vento se não estamos inseridos na ordem social. Sendo, assim, cada qual tem sua função, como também possui um local, mas que faz parte de um todo, que no cristianismo é Jesus Cristo, e no pensamento de Royce é entendido como espírito absoluto. A vida social se torna não necessária se nossa preocupação esta unicamente voltada à nossa individualidade, com nossa privacidade. Do contrário se deve colocar à disposição da ordem social. A sociabilidade, segundo o autor, é um fator essencial para que não nos acomodemos com as coisas passageiras, pois a sociabilidade é o caminho para o absoluto. O eu deve fazer sociabilidade para ser um todo. E aqui ele faz a sua crítica a igreja que se afasta do princípio de São Paulo, que está expressa na sua obra “O Mundo e o Indivíduo” (2 vol. 1900-1902) e da mesma forma critica a sociedade que leva as pessoas ao individualismo que também está registrada numa obra sua denominada “O Problema do Cristianismo” de 1913. Porém, a sociedade que faz o indivíduo sair de sua finitude é uma sociedade ideal. Josiah Royce chega a dizer que tal feito se caracterizaria numa igreja viva e visível, onde cada qual com seu papel na sociedade iria superar a natureza passageira que possui, fazendo parte de uma comunidade que tem caráter absoluto. Portanto, vemos explícita a influência pragmática, porque é na vida prática da comunidade que a vida finita se completa. Assim, o neo-idealismo do autor, tem como pano de fundo o pragmatismo, no qual o valor do conhecimento está para transformar a realidade. De certa forma, a idéia é a expressão volitiva poder, a idéia é pratica. 4. O NEO-REALISMO Corrente filosófica que se desenvolveu no início do século XX em reação contra o idealismo. O Neo-realismo caracteriza-se pela busca da superação do dualismo psicofísico e pela tese de haver uma estreita colaboração entre a filosofia e a ciência. Baseia-se, todavia em uma tese fundamental comum, que constitui sua novidade e seu ponto de destaque do realismo tradicional, como também sua linha de defesa contra o idealismo. Sustenta que, a relação cognoscível não modifica a natureza do próprio objeto. Elimina completamente a dependência existencial ou qualitativa do objeto do conhecimento ao sujeito. De fato o seu objetivo principal era o de explicar a possibilidade de um objeto estar presente na consciência e ser ao mesmo tempo independente da sua relação com ela. No estudo dos problemas filosóficos dos neo-realistas adotaram uma perspectiva analítica e acentuaram a importância da linguagem como instrumento filosófico. 4.1 ORIGEM O neo-realismo surgiu e se desenvolveu principalmente na Inglaterra após a publicação de diferentes disciplinas (filosofia, história da filosofia, ciência, matemática, literatura) por parte de estudiosos do assunto. 4.2 TEMÁTICA PRINCIPAL Entre as concepções do idealismo e do espiritualismo, de um lado e do pragmatismo e do materialismo do outro, o neo-realismo quer reafirmar a realidade e a consistência objetiva do mundo externo, sem, no entanto, resolvê-lo exclusivamente no principio material. Aproveita como embasamento teórico os pressupostos recentes da ciência e um pouco da tradição empírica inglesa. O neo-realismo se separa do empirismo num ponto capital: Enquanto este último se detém no dado subjetivo da sensação, esquecendo-se de toda metafísica do cosmos, o neo-realismo pretende superar este limite e pesquisar uma forma total, mais global e objetiva da realidade. Os neo-realistas americanos reduzem os chamados atos cognoscitivos a conhecimentos naturais. Para eles, não há diferença alguma entre o ato cognoscitivo e, por exemplo, a saraivada. Fatos físicos e humanos, filosóficos e espirituais são postos na mesma ordem da realidade. Enfim, para os neo-realistas americanos, o mundo é simplesmente mera representação, não do sujeito, como vê o idealismo, mas representação por si só. Não há diferença entre aparência e realidade. Outra manifestação americana na filosofia é o realismo crítico. Segundo o mesmo, o homem não experimenta diretamente a existência de um objeto, mas afirma-a com um ato de intuição, de que a experiência e o raciocínio provam a legitimidade. Conhecer um determinado objeto significa atribuir-lhe uma determinada essência. E o conhecimento é verdadeiro quando a essência corresponde á existência do objeto a que se refere. O conhecimento é falso quando a essência se refere a um objeto imaginado real, mas que não é. 4.3 INFLUÊNCIAS DEIXADAS As influencias deixadas pelo Neo-realismo no atual pensamento, sobretudo nas novas orientações da epistemologia contemporânea, que na virada do século XIX apresentava uma crise dos métodos das ciências da natureza. No círculo de Viena, que surgiu com a intenção de investigar ate onde as teorias, através da analise da sua estrutura lógica tem probabilidade de ser verdadeira ou falsa. O circulo de Viena sofreu influencia de Wittgenstein e da lógica de Russel e Whitehead. Esses autores representam a tendência neopositivismo ou empirista lógica. Na filosofia chamada Analítica, a qual a preocupação esta mais centrada a reflexão sobre as proposições, a lógica matemática de Frege, via Russel e Whitehead, é base primordial de tal pensamento, que se faz presente nas principais universidades do ocidente. Por fim, na lógica moderna, em oposição à de Aristóteles, se faz presente à lógica matemática como aquela que vem superar a linguagem não simbólica. 4.4 GEORGE AUGUSTÍN NICOLÁS RUIZ DE SANTAYANA Santayana é também um filósofo de grande nome na corrente neo-realista. De origem espanhola, nasceu em Madri em 16 de dezembro de 1863. Como sua família ficou pobre, acabaram mudando-se para Boston, Estados Unidos, no ano de 1872. Estudou na Universidade Harvard de Cambridge, Massachusetts, e ampliou sua formação na Alemanha e no Reino Unido. Regressou a Harvard para completar a tese de doutorado. A partir de 1889, lecionou filosofia em Harvard. Entre suas principais obras temos: O sentido da beleza (1896) retratando a importância da estética no mundo industrializado. Em A vida da razão (1905-1906) faz uma reflexão sobre o desenvolvimento da consciência até atingir as formas mais elevadas de conhecimento. Afirma que as manifestações da razão são compreendidas como uma integração de instinto e reflexão. O motivo pelo qual realizou estas pesquisas é para unir os dois tipos de vida: A vida dos impulsos imediatos e a da reflexão. A primeira consiste em exprimir as paixões e as manifestações da vida comum; já a segunda se exprime na religião, na arte e na ciência. Se essas vidas forem vivenciadas separadamente, o Ser Humano torna-se um monstro. É com a união desses dois “monstros” que se funda a alma racional, tornando a vida feliz. Caso sejamos incapazes de fazer esta junção, estamos condenados a morrer como selvagens que vivem apenas o momento presente. A obra Os Reinos do Ser (1942) consiste em quatro volumes que apresentam seu sistema filosófico. Apresenta nesta obra que a razão nos oferece uma visão correta das “essências” da realidade, que são derivadas da ordem material. Esta razão é irredutível à matéria. Um afronto com o idealismo é que nem toda essência que o entendimento humano concebe têm relação com o real. Como em Whitehead, a filosofia serve para delimitar os domínios de conhecimento. Em O Último Puritano (1935) trata de um romance psicológico com traços autobiográficos. Na obra Dominação e Poder (1951), faz uma análise do homem em sociedade, na qual defende uma teoria política, semelhante à das ditaduras modernas. Em A Idéia de Cristo no Evangelho, fala sobre a humanidade e divindade de Cristo, representando o Salvador transfigurado, comparando com as belezas que aconteceram em sua vida. Sua crítica aos idealistas é de que eles são onívoros, que fazem o sujeito “engolir” tudo o que lhe vêm pela frente sem antes perceber que “... onde tudo é espírito, é inútil qualquer processo de espiritualização” (MONDIN, B. p. 163). A filosofia de Santayana é um proferimento de um realismo platônico. Considerava o dualismo: essência e existência. Para ele, a existência é a matéria e a essência é o espírito. O espírito está encarnado no organismo e lhe dá a vida. Os mundos da existência e da essência constituem num dualismo irredutível. A atividade humana é um esforço para conciliar a idéia com a existência e vice versa. Toda atividade humana consiste em buscar a harmonia da vida com a contemplação espiritual. Santayana passou seus últimos anos de vida como hóspede de um convento em Roma, cidade onde morreu em 26 de setembro de 1952. 4.5 ALFRED NORTH WHITEHEAD Matemático e cientista inglês, nascido no dia 15 de fevereiro de 1861 em Ramgaste, no Kent. É reconhecido mundialmente como um grande filósofo do século XX, apesar de ter se dedicado à filosofia depois dos sessenta anos. Whitehead está na categoria dos filósofos americanos, apesar de ter nascido e recebido sua formação em países do continente europeu. Whitehead estudou no Trinity College (Cambridge), onde ensinou matemáticas entre 1885 e 1911. Ensinou matemáticas aplicada e mecânica na Universidade de Londres entre 1911 e 1924. Neste último ano aposentou-se como professor de matemática e foi chamado a lecionar filosofia na Universidade de Harvard entre 1924 e 1936. Foi professor emérito de Harvard até à sua morte a 30 de Dezembro de 1947. Foi membro da Royal Society e da Academia Britânica. Suas principais obras são: duas sobre filosofia das ciências naturais: Investigação sobre os princípios do conhecimento natural (1919) e O Conceito de Natureza (1920); Voltando-se para a filosofia, que incluía a metafísica, religião e os princípios do conhecimento, escreveu: A Ciência e o Mundo Moderno (1925), O Devir da Religião (1926), Simbolismo: seu significado e efeito (1927), Processo e realidade: ensaio sobre uma cosmologia (1929), A Função da Razão (1929), Aventura das Idéias (1933), e Modos do Pensamento (1938). Podemos ainda incluir no campo da matemática: Tratado da álgebra universal (1898), O Princípio da Relatividade (1922) e Uma Introdução as Matemáticas (escrito juntamente com Russell em 1911). A filosofia de Whitehead é voltada para o combate do materialismo científico. Afirma que há uma inter-relação entre a ciência e a filosofia “Cada uma das duas ajuda a outra. A função da filosofia é trabalhar pela concordância das idéias que aparecem ilustradas pelos fatos concretos no mundo real” (REALE, G. p. 654). A atitude filosófica procede da ciência. O conhecimento analítico deixa de lado a realidade como tal, e para isso é preciso integrar o conhecimento com a realidade e não com a idéia apenas. O Filósofo neo-realista chama a filosofia de cosmologia, sendo que ela é uma interação de teoria e prática, uma ciência real do mundo. Seu realismo é semelhante ao de Aristóteles: a filosofia (entendida como metafísica) “... é uma integração da ciência; ela supre aquilo que a ciência não pode dar” (MONDIN, B. p. 162). O Filósofo combatente do idealismo criticou a divisão entre espírito e matéria, a divisão entre substância e acidente, abstrato e concreto. Whitehead retoma Heráclito quando vê a realidade como um fluir de eventos. Afirma que o mundo é organicidade e dinamismo. Há uma processualidade no espaço e no tempo. Um acontecimento é um conjunto de relações proveniente de uma relação de intencionalidade com todo universo. Tudo tem um efeito e uma causa e tudo é evento. Mesmo o sujeito perceptivo é um evento. Contrapõe os idealistas ao afirmar que o mundo não emerge do sujeito, mas o sujeito emerge do mundo (não da matéria). Nega que o universo seja uma coisa estática e sim um processo. É um organismo que cresce, onde o sujeito é um ponto de chegada (sendo que a autoconsciência é um acontecimento que se realiza através de um conjunto de acontecimentos, que é o corpo humano) e não de partida como pensam os idealistas. O seu método baseava-se na análise da realidade a partir da percepção dos objetos e das relações entre os objetos. Este grande autor do neo-realismo em sua teoria teológica afirma a existência de Deus, sendo que este é o princípio da realidade concreta e a natureza de onde tudo se originou. Deus não pode ser intuição nem demonstração. Ele existe para que os fenômenos possam ser explicados e para sofrer junto a nós na luta contra o mal. 5. CONCLUSÃO Neste trabalho apresentamos duas correntes filosóficas de grande importância. São elas: o Neo-idealismo e o Neo-realismo. Assim, pelas leituras feitas, percebemos que o Neo-idealismo tem como ponto de partida o idealismo desenvolvido por Hegel. Contudo, esse desenvolvimento encontrou uma reação em cadeia de correntes filosóficas contra o idealismo. Assim, uma avalanche de críticas precipitou a teoria hegeliana. Desta forma aparecia que o pensamento idealista não mais se mostraria com vivacidade, devido ás críticas dos positivistas e voluntaristas. No entanto o idealismo renasce com mais força e com características diversas de acordo com a tradição filosófica de cada país. Eis o Neo-idealismo. No tocante ao Neo-realismo, não é mais a idéia que demanda a realidade, mas o objeto em si, pois afirma essa corrente que de modo algum o ideal possa absorver o real e também a relação de identidade entre eles. O objeto para existir não depende de minha observação, mas é em si. Portanto, podemos concluir que o trabalho nos auxiliou na distinção entre essas duas correntes, cientes que uma é oposta á outra. 6. BIBLIOGRAFIA MONDIN, B. Curso de Filosofia. 4ª ed. São Paulo: Paulinas, 1987. REALE, G. ANTISER, D. A História da Filosofia, vol. III. 3ªed. São Paulo: Paulus, 1991.

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