EGO
Segundo Freud, o ego nada mais é do que uma parte do id
modificado pelo impacto ou a interação das pulsões internas e dos estímulos
externos. Por estar situado entre o mundo interno e o externo, o ego
comporta-se como receptor dos impulsos que lhe chegam de ambos os campos, logo
é errôneo pensar que o ego é identificado somente com o consciente, pois o
mesmo atinge também o pré-consciente e até mesmo o inconsciente. Por
conseguinte uma parte do ego é o inconsciente, outra o pré-inconsciente, e uma
terceira, o consciente.
Sua função
no aparelho psíquico humano é coordenar funções e impulsos internos, e fazer
com que os mesmos possam expressar-se no mundo exterior sem conflitos, para
isto este dispõe de uma organização capaz de dirigir todas as tendências do id
para uma finalidade determinada. É importante salientar que o ego não só é
capaz de atuar sobre o mundo exterior, mas também pode atuar sobre o organismo,
condicionando as reações, a tal ponto de simular a realização de um desejo. Ex:
Mulheres que apresentam todos os sinais de gravidez, mas não estão grávidas.
Trata-se, em geral, de mulheres estéries e histéricas que dessa forma procuram
satisfazer o desejo de serem mãe.
DESENVOLVIMENTO DO EGO
No decorrer de sua evolução, o ego sofre transformações
quanto ao modo de atuar.
-
Processo de fascinação: o ego produz as primeiras
percepções e depois passa a fazê-lo com todos os estímulos que lhe chegam.
Podemos perceber claramente esta manifestação quando a criança repete atitudes
e gestos simples dos indivíduos de seu meio ambiente.
-
Outro mecanismo do ego primitivo é a tendência para
introjetar o agradável e expulsar o desagradável. A primeira realidade que a
criança percebe é comestível, portanto, psicologicamente, o vômito é uma
incontestável expressão de desagrado.
A imitação do percebido( processo
de fascinação) e a introjeção oral, constituem o fundamento da identificação
primária, que é a primeira forma de amor para com o objeto e também a primeira
reação motora diante dos estímulos exteriores.
O ego primário é nitidamente
prazenteiro e acredita ser possuidor do mundo e daí nasce sua onipotência,
apesar de ser um ego sumamente pobre. De acordo com Ferenczi, o ego no decorrer
de sua evolução passa por quatro fases de magia e de onipotência.
1-
Fase da onipotência incondicional : corresponderia ao
estado fetal, é uma fase totalmente hipotética e que muitos autores não aceitam
2-
Fase das alucinações mágicas: Todo impulso neste
estágio de evolução é satisfeito por meio de alucinações. O desejo
transforma-se imediatamente numa representação alucinada. Assim, quando um bebê
tem fome, proporciona-se uma satisfação alucinando o seio que deseja.
3-
Fase da onipotência com auxílio de gestos mágicos: A
reação da criança diante de uma necessidade corporal é geralmente acompanhada
de um movimento de braços, pernas, choro e gritos. Quem agüenta o choro de uma
criança? Sempre corremos para atendê-la e
este atendimento faz com que a criança se firme cada vez mais na crença
de que são precisamente estes movimentos que produzem a satisfação e também que
suas atitudes e gestos têm poderes ilimitados.
4-
Fase da superioridade do pensamento: Esta etapa parece
iniciar-se juntamente com a linguagem. As fases mágicas do ego desaparecem
quase por completo, o homem começa a perceber, adaptar-se á realidade e atuar.
Nesta etapa de evolução, a missão do ego é realizar uma homeostase , evitando
que os impulsos instintivos, os obstáculos e estímulos externos sejam excessivos servindo portanto
como balança reguladora.
DUAS FUNÇÕES IMPORTANTES DO EGO
O ego tem duas funções muito importantes, que são o
exame da realidade e o trabalho de síntese.
-
Exame e sentido da realidade: Dissemos que todo
impulso volitivo procede do id mas sua ação depende inteiramente do ego, a
ponto de um impulso poder ser completamente neutralizado. Para agir desse modo,
o ego tem a chave da motilidade, o que lhe permite ao mesmo tempo comprovar a
existência real dos objetos.
Na dúvida
sobre a realidade de um objeto, a primeira coisa que o indivíduo tenta fazer é
tocá-lo. Os alucinados, numa tentativa de se convencerem da realidade do que
estão vendo, agitam as mãos no ar. Essa tentativa de comprovação constitui o
teste ou exame da realidade.
Nas etapas
mais evoluídas do ego, esse exame já não se realiza com auxílio exclusivo da
motilidade: a inteligência ou as reminiscências é suficiente para permitir que
o indivíduo comprove se o elemento existe no mundo exterior ou se é somente um
produto de sua fantasia. O ego vale-se de dois recursos: o teste da realidade
por meio da atividade motora (tocar primeiro e acreditar depois) e , depois, o
sentido da realidade, em que já não há necessidade do motor e através do qual
se sabe se “isso” está realmente aí.
A tarefa
fundamental do ego é perceber e, ao mesmo tempo, estabelecer se o percebido se
encontra no mundo interno ou externo.
- A função de síntese: No id, os
impulsos são antagônicos e não estão regidos por nenhuma organização unitária.
O ego, por sua vez, tem entre suas funções a de compensar a oposição desses
impulsos unificando-os na forma de sentimentos, ações ou volições, uma vez que
não suporta a contradição. Assim como harmoniza os impulsos do id, tem depois
que fazê-los concordar com as exigências da realidade e os requisitos do
superego. Portanto, não é simplesmente um unificador mas também um mediador
entre ao id, a realidade e o superego. A atividade correta do ego consiste no
seguinte: receber primeiro o impulso, distinguir de onde ele vem, depois,
realizar um processo de síntese entre os diferentes elementos que procedem do
id, tentando fazer com que uma determinada quantidade de energia possa
descarregar-se num único momento.
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