segunda-feira, 10 de junho de 2013

EGO

Segundo Freud, o ego nada mais é do que uma parte do id modificado pelo impacto ou a interação das pulsões internas e dos estímulos externos. Por estar situado entre o mundo interno e o externo, o ego comporta-se como receptor dos impulsos que lhe chegam de ambos os campos, logo é errôneo pensar que o ego é identificado somente com o consciente, pois o mesmo atinge também o pré-consciente e até mesmo o inconsciente. Por conseguinte uma parte do ego é o inconsciente, outra o pré-inconsciente, e uma terceira, o consciente.

Sua função no aparelho psíquico humano é coordenar funções e impulsos internos, e fazer com que os mesmos possam expressar-se no mundo exterior sem conflitos, para isto este dispõe de uma organização capaz de dirigir todas as tendências do id para uma finalidade determinada. É importante salientar que o ego não só é capaz de atuar sobre o mundo exterior, mas também pode atuar sobre o organismo, condicionando as reações, a tal ponto de simular a realização de um desejo. Ex: Mulheres que apresentam todos os sinais de gravidez, mas não estão grávidas. Trata-se, em geral, de mulheres estéries e histéricas que dessa forma procuram satisfazer o desejo de serem mãe. 


DESENVOLVIMENTO DO EGO


No decorrer de sua evolução, o ego sofre transformações quanto ao modo de atuar.
-         Processo de fascinação: o ego produz as primeiras percepções e depois passa a fazê-lo com todos os estímulos que lhe chegam. Podemos perceber claramente esta manifestação quando a criança repete atitudes e gestos simples dos indivíduos de seu meio ambiente.
-         Outro mecanismo do ego primitivo é a tendência para introjetar o agradável e expulsar o desagradável. A primeira realidade que a criança percebe é comestível, portanto, psicologicamente, o vômito é uma incontestável expressão de desagrado.

A imitação do percebido( processo de fascinação) e a introjeção oral, constituem o fundamento da identificação primária, que é a primeira forma de amor para com o objeto e também a primeira reação motora diante dos estímulos exteriores.
O ego primário é nitidamente prazenteiro e acredita ser possuidor do mundo e daí nasce sua onipotência, apesar de ser um ego sumamente pobre. De acordo com Ferenczi, o ego no decorrer de sua evolução passa por quatro fases de magia e de onipotência.
1-     Fase da onipotência incondicional : corresponderia ao estado fetal, é uma fase totalmente hipotética e que muitos autores não aceitam
2-     Fase das alucinações mágicas: Todo impulso neste estágio de evolução é satisfeito por meio de alucinações. O desejo transforma-se imediatamente numa representação alucinada. Assim, quando um bebê tem fome, proporciona-se uma satisfação alucinando o seio que deseja.
3-     Fase da onipotência com auxílio de gestos mágicos: A reação da criança diante de uma necessidade corporal é geralmente acompanhada de um movimento de braços, pernas, choro e gritos. Quem agüenta o choro de uma criança? Sempre corremos para atendê-la e  este atendimento faz com que a criança se firme cada vez mais na crença de que são precisamente estes movimentos que produzem a satisfação e também que suas atitudes e gestos têm poderes ilimitados.
4-     Fase da superioridade do pensamento: Esta etapa parece iniciar-se juntamente com a linguagem. As fases mágicas do ego desaparecem quase por completo, o homem começa a perceber, adaptar-se á realidade e atuar. Nesta etapa de evolução, a missão do ego é realizar uma homeostase , evitando que os impulsos instintivos, os obstáculos e estímulos  externos sejam excessivos servindo portanto como balança reguladora.

DUAS FUNÇÕES IMPORTANTES DO EGO


O ego tem duas funções muito importantes, que são o exame da realidade e o trabalho de síntese.
-         Exame e sentido da realidade: Dissemos que todo impulso volitivo procede do id mas sua ação depende inteiramente do ego, a ponto de um impulso poder ser completamente neutralizado. Para agir desse modo, o ego tem a chave da motilidade, o que lhe permite ao mesmo tempo comprovar a existência real dos objetos.
Na dúvida sobre a realidade de um objeto, a primeira coisa que o indivíduo tenta fazer é tocá-lo. Os alucinados, numa tentativa de se convencerem da realidade do que estão vendo, agitam as mãos no ar. Essa tentativa de comprovação constitui o teste ou exame da realidade.
Nas etapas mais evoluídas do ego, esse exame já não se realiza com auxílio exclusivo da motilidade: a inteligência ou as reminiscências é suficiente para permitir que o indivíduo comprove se o elemento existe no mundo exterior ou se é somente um produto de sua fantasia. O ego vale-se de dois recursos: o teste da realidade por meio da atividade motora (tocar primeiro e acreditar depois) e , depois, o sentido da realidade, em que já não há necessidade do motor e através do qual se sabe se “isso” está realmente aí.
A tarefa fundamental do ego é perceber e, ao mesmo tempo, estabelecer se o percebido se encontra no mundo interno ou externo.

- A função de síntese: No id, os impulsos são antagônicos e não estão regidos por nenhuma organização unitária. O ego, por sua vez, tem entre suas funções a de compensar a oposição desses impulsos unificando-os na forma de sentimentos, ações ou volições, uma vez que não suporta a contradição. Assim como harmoniza os impulsos do id, tem depois que fazê-los concordar com as exigências da realidade e os requisitos do superego. Portanto, não é simplesmente um unificador mas também um mediador entre ao id, a realidade e o superego. A atividade correta do ego consiste no seguinte: receber primeiro o impulso, distinguir de onde ele vem, depois, realizar um processo de síntese entre os diferentes elementos que procedem do id, tentando fazer com que uma determinada quantidade de energia possa descarregar-se num único momento.

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