segunda-feira, 10 de junho de 2013

O livre-arbítrio
“Esta importante obra tem como tema o problema da liberdade humana e o da origem do mal moral. Desde a sua adolescência, Agostinho preocupava-se com tais questões, e uma das causas de sua adesão ao maniqueísmo foi a solução para as sua dúvidas.”(livre-arbítrio, p.13 )

“Não podia Agostinho suportar a idéia de que Deus fosse a causa do mal. Enfim, em Milão, enquanto a eloqüência de Ambrósio trazia-o de volta ao catolicismo, a leitura do neoplatônico Plotino trouxe-lhe a luz tão desejada”. (livre-arbítrio, p.13)

“É em direção a Deus que Plotino conduziu Agostinho, para leva-lo à certeza de um Criador bom e poderoso, fonte de toda realidade. Desse modo, o mal não podia ter lugar entre os seres, nem prejudicar a excelência da obra divina”. (livre-arbítrio, p.13)

“...o mal físico resolve-se com a Providência divina. Isso porque o mal visto no conjunto não é mais um malefício, mas sim uma contribuição.” (livre-arbítrio, p.13)

“Segundo os dados da fé, Deus todo-poderoso e Bem supremo criou todas as coisas por meio de seu Verbo, e nada pode escapar à ordem de sua Providência. Todas as suas obras são boas.” (livre-arbítrio, p.14)

Em conclusão, chega a afirmar em síntese: a fonte do mal moral, o pecado, está no abuso da liberdade, mas este é um bem. (livre-arbítrio, p.14)

“Ora, cometer o mal não é nada mais do que submeter sua vontade às paixões, ou preferir aos bens propostos pela fé eterna uma satisfação pessoal. E isso só é possível pela livre opção de nossa vontade.” (livre-arbítrio, p.14)

Deus quem criou a vontade livre. “Por certo, o pecado não dependem da presciência divina, e não é necessário à ordem. Sua presença, porém, não consegue tornar a ordem atual indigna de Deus.” (livre-arbítrio, p.14 à 15)

 “Ao grande problema do mal, consegue Agostinho apresentar uma explicação  que se tornou ponte de referência durante séculos e ainda hoje conserva a sua vaidade.” (livre-arbítrio, p.15)

“Se tudo provém de Deus, que é o Bem, de onde provém o mal?” (livre-arbítrio, p.16)
“...o mal não é um ser, mas deficiência e privação do ser.” (livre-arbítrio, p.16)
 
“O que ele repete, uma e mil vezes, é que o homem é livre para fazer o bem e que não é forçado a cometer o mal por nenhuma necessidade. Se o homem peca, a culpa é sua.” (livre-arbítrio, p.18)

“Agostinho insiste fortemente na bondade essencial e infinita de Deus. Sem o livre-arbítrio não haveria mérito nem desmérito, glória nem vitupério, responsabilidade nem irresponsabilidade, virtude nem vício.” (livre-arbítrio, p. 18)

A vontade, a liberdade e a graça.
“Duas condições são exigidas para fazer o bem: um dom de Deus que é a graça e o livre-arbítrio. Sem o livre-arbítrio não haverias problemas; sem a graça, portanto, não tem efeito de suprimir a vontade, mas sim de torna-la boa, pois ela se transformara em má. Esse poder de usar bem o livre-arbítrio é precisamente a liberdade. A possibilidade de fazer o mal, é a marca da liberdade. E o fato de alguém se encontrar confirmado na graça suprema completamente dominado pela graça de Cristo será também o mais livre.” (livre-arbítrio, p. 18)

19/20/21..........3
De onde vem o mal?????????????
É Deus o autor do mal?
“... habitualmente tomamos o mal em dois sentidos: um, ao dizer que alguém praticou o mal; outro, ao dizer que sofreu algum mal.” (livre-arbítrio, p.25)
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para santo Agostinho Deus é bom e não pode praticar o mal. 25
“Pois cada pessoa ao cometê-lo [mal] é o autor de sua má ação.” (livre-arbítrio, p.26)
“O mal vem por ter sido ensinado?” (livre-arbítrio, p.26)
“Com efeito, a instrução comunica-nos ou desperta em nós a ciência, e ninguém aprende Algo se não for por meio da instrução.” (livre-arbítrio, p. 26)
“...a instrução sempre é um bem, visto que tal termo deriva do verbo instruir. Assim, será impossível o mal ser objeto de instrução. Caso fosse ensinado, estaria contido no ensino e, desse mo, a instrução seria um bem. Ora, a instrução é um bem, como tu mesmo já o reconheceste. Logo, o mal não se aprende.” (livre-arbítrio, p. 26 á 27)
“...fazer o mal, não seria outra coisa do que renunciar à instrução.” (livre-arbítrio, p.27)
talvez por que as pessoas se desinteressam e se afastam do verdadeiro ensino, isto é dos meios de instrução.
27/28
 Se o mal procede dos filhos de Deus como não atribuir o mal a Deus?
“Qual a causa de procedermos mal?”
“Os adultérios, os homicídios,...” (livre-arbítrio, p.30) “Dize-me, primeiro, por que consideras o adultério como má ação?” (livre-arbítrio, p.31)
ev “... quem quer que faça um mal o qual não quer que lhe façam, procede mal.” (livre-arbítrio, p.31) mas no  caso de quem quer que ele faça o mal então seria um bem. argumento fraco. Por exemplo, “E se a paixão inspirasse a alguém de entregar sua própria esposa a outro, e de aceitar voluntariamente que ela fosse violentada, desejando ele, por sua vez, obter a mesma permissão em relação à esposa do outro? Conforme a tua opinião ele não faria mal nenhum?” (livre-arbítrio, p.31)

“O mal provém da paixão interior” (livre-arbítrio, p.32)
“Pois ao procurar o mal num ato exterior visível, caíste em impasse. Para te fazer compreender que a paixão é bem aquilo que é mal no adultério, considera um homem que está impossibilitado de abusar da mulher de ser próximo. Todavia, se for demonstrado, de um modo ou de outro, qual o ser intento e que o teria realizado se o pudesse, segue-se que ele não é menos culpado por aí do que se tivesse sido acompanhado em flagrante delito”. (livre-arbítrio, p.32)

“Com efeito, desejar vida sem temor, não só é própria de homens bons, como também dos maus. Com está diferença, porém: os bons o desejam renunciando ao amor daquelas coisas que não se podem possuir sem perigo de perdê-las. Os maus, ao contrário, desejam uma vida sem temor, para gozar plena e seguramente de tais coisas, e para isso esforçam-se de qualquer modo para afastar todos os obstáculos que o impeçam. Levam então vida criminosa e perversa - vida que deveria antes ser chamada de morte.” (livre-arbítrio, p.35)

os mal mete para gozar de uma vida mais tranqüilo possível.
“...como poderiam estar isento do pecado aqueles que se mancham com sangue humano, para defender coisas de mesmos apreço?” (livre-arbítrio, p.39)

“Reconhecerás também, espero, que na lei temporal dos homens nada existe de justo e legítimo que não tenha sido tirado da lei eterna”. (livre-arbítrio, p.41)

A causa do pecado – o abuso da vontade livre.
Na minha opinião não o pode ser de modo algum mal.46
Porque é único nosso, é um privilégio ter-lo.

A atuação da boa vontade prova que o pecado vem do livre-arbítrio

“Por qual motivo podemos nós todos essas espécies de penas tão cruéis, más que certamente estamos entre os insensatos, sem que nunca tenhamos sido sábios. Ora, isso seria preciso para que se diga que tais males nos afligem com justiça,...” (livre-arbítrio, p.54)

“É a vontade pela qual desejamos viver com retidão e honestidade, ou se não queres ardentemente te tornar sábio.” (livre-arbítrio, p.56)
 “É a vontade pela qual desejamos o cume da sabedoria.” (livre-arbítrio, p.56)
“...depende de nossa vontade gozarmos ou sermos privados de tão grande e verdadeiro bem.” (livre-arbítrio, p.56)

nossa boa  vontade implica o exercício das quatro virtudes cardeais
“...a prudência não te parece o conhecimento daquelas coisas que precisam ser desejadas e dos que devem ser evitadas.” (livre-arbítrio, p.57)
“E a força, não é ela aquela disposição da alma pela qual nós desprezamos todos os dissabores e a perda das coisas que não estão sob nosso poder?” (livre-arbítrio, p.58)
“E quanto à temperança, é ela a disposição que reprime e retém o nosso apetite longe daquelas coisas eu constituem uma vergonha ser desejados?” (livre-arbítrio, p.58)
“Finalmente sobre a justiça, o que diremos ser ela, senão a virtude pela qual damos a cada um o que é seu?” (livre-arbítrio, p.58) continua 58/59

“Porque quem possui e ama na boa vontade e resiste, como dissemos, ao que lhe é contrário, não pode querer mal a ninguém.” (livre-arbítrio, p.59)

“Levar uma vida feliz ou infeliz depende de nossa boa vontade” (livre-arbítrio, p.59)
“...é feliz o homem realmente amante de sua boa vontade” (livre-arbítrio, p.60)
“... todo aquele que quer viver conforme a retidão e honestidade, se quiser pôr esse bem acima de todos os bens passageiros da vida, realiza conquista tão grande, com tanta facilidade que, para ele, o querer e o possuir serão um só e mesmo ato.” (livre-arbítrio, p.61)

“E como se explica que, sendo por sua própria vontade que o homem obtém vida feliz, quando acontece que tantas são infelizes, apesar de todos quererem ser felizes?” (livre-arbítrio, p.62)

“Com efeito, aqueles que são felizes – para isso é preciso que sejam também bons – não se tornaram tais só por terem querido viver vida feliz – visto que os maus também o querem.” (livre-arbítrio, p.62)

“Porque nos deu Deus a liberdade de pecar?” (livre-arbítrio, p.73) argumento do animal nas anotações...........
“... nós não só possuímos o livre-arbítrio da vontade, mas acontece ainda que é unicamente por ele que pecamos .” (livre-arbítrio, p.73)
“... tudo que é bom procede de Deus. E tudo o que é justo é bom.” (livre-arbítrio, p.74)

“...é Deus que atribui o infortúnio aos pecadores e a felicidade aos que praticam o bem.” (livre-arbítrio, p.74)
“Ora, seria isso uma injustiça se a vontade livre fosse dada não somente para se viver retamente, mas igualmente para se pecar.” (livre-arbítrio, p.76)
Deus não pode castigar, foi ele quem nos deu a vontade livre e portanto o direito de pecar e de ser certo. Deus não pode castigar alguém, se não ele está cometendo um mal, a não ser que ele tenha outra lógica. Segundo coisa se ele castiga, estará interferindo na vontade livre, no livre-arbítrio.
Mas se a vontade livre”nos foi dada para fazermos o bem, não deveríamos poder levar-nos a pecar.” (livre-arbítrio, p.75)
 
  Objeção: já que o livre-arbítrio foi-nos dado para fazer o bem, como se coita ele para o mal?

“...foi Deus que nos concedeu a vontade livre, nesse caso [mal], poderíamos afirmar que Deus não nos deveria ter dado tal dom?..., ...se fosse incerto  que Deus nos tenha concedido a vontade livre, nós teríamos o direito de indagar se foi bom ela nos ter sido dada. Desse modo, se descobríssemos que foi bom, igualmente, reconheceríamos o doador não é Aquele a quem não é  permitido incriminar algo que seja mas sendo certo que o próprio Deus nos deu essa vontade livre, qualquer seja a forma como recebemos esse dom, devemos confessar que Deus não estava obrigado de no-lo dar como foi dado nem de modo diferente.” (livre-arbítrio, p.76)

 Segunda condição: não se limitar à f, mas procurar o seu entendimento.
“...pelo fato de ser incerto a  vontade livre nos ter sido dada, para com ela agirmos bem – já que podemos também pecar –, decorre esta outra incerteza: se foi um bem ou não, ela nos ter sido dada. Porque, se é incerto ela nos ter sido dada, para agirmos corretamente, tampouco é certo que seja um bem ela com ter sido dada. Por aí, não é igualmente certo que seja Deus o doador. Com efeito, a incerteza sobre a conveniência do dom torna incerto a origem, isto é, o fato de ser Aquele a quem não nos é permitido crer que conceda algo que não deveria ter cometido.” (livre-arbítrio, p.77) 

Sabedoria – Bem Supremo

Cada pessoa busca algo em sua vida, por exemplo a aqueles que abraçam o serviço militar e crêem estar agindo de maneira sábia. Assim também aqueles que trabalha na raça, nas igrejas,...”

“Todos aqueles de quem acabas de cita [militares, trabalhadores, sacristãos,...] as opiniões divergentes, na busca da sabedoria, desejam o bem e fogem do mal. Mas a razão da divergência de seus sentimentos encontra-se nas diversas acepções que têm o bem.” (livre-arbítrio, p.107)

“...há erro quando seguimos um caminho que não pode nos conduzir aonde pretendemos chegar. E quanto mais uma pessoa erra no caminho da vida, menos ela é sábia, porque tanto mais afasta-se da verdade, na qual se contempla o ser possui o Bem supremo.”( livre-arbítrio, p.107)

“Ele [Deus] é a realidade verdadeira e suma, acima de tudo.” (livre-arbítrio, p.125 à 126)
“[Torna] evidente estes dois princípios primários:
-         que Deus existe;
-         e que todos os bens procedem de Deus.”( livre-arbítrio, p.134) Mas de onde procede o mal.

“Pois parecia a ti, como dizias, que o livre-arbítrio da vontade não devia nos ter sido dado, visto que as pessoas servem-se dele para pecar. Eu apunha à tua opinião que não devemos agir com retidão a não ser pelo livre-arbítrio da vontade. E afirmava que Deus no-lo deu, sobretudo em vista desse bem.”( livre-arbítrio, p.135)
“Ainda que o homem possa usar mal da liberdade, a sua vontade livre deve ser considerada como um bem.” ( livre-arbítrio, p.135)

“Como efeito, vês que grande privação é para o corpo não ter as mãos, e, contudo acontece que há quem use mal das próprias mãos. Realizam co elas ações cruéis ou vergonhosas.” ( livre-arbítrio, p.136)
 
“Se visses uma pessoa sem pés, afirmarias que lhe falta à integridade do corpo, um bem muito valioso. Entretanto, aquele que se serve de seus pés para prejudicar ao próximo ou se avilta a si mesmo, estaria usando mal de seus pés.” ( livre-arbítrio, p.136) [esse pode vi para trazer mais união entre a família]

“Por conseguinte, do mesmo modo como aprovam a presença desses bens no corpo [olhos, mãos, pés] e que, sem considerar os que deles abusam, louvas o doador, de igual modo deve ser quanto à vontade livre, sem a qual ninguém pode viver com retidão.” ( livre-arbítrio, p.136)

“[A vontade livre] ...é um bem e um Dom de Deus, e que é preciso condenar aqueles que abusam desse bem, em vez de dizer que o doador não deveria tê-lo dado a nós.
A vontade livre pode-se servir ora bem e ora mal das coisas.
“...o mal origina-se da deficiência do livre-arbítrio” ( livre-arbítrio, p.142)

“Já que a vontade move-se, afastando-se do Bem imutável [Deus] para procurar um bem mutável, de onde lhe vem esse impulso? Por certo, tal movimento é mal, ainda que a vontade livre, sem a qual não se pode viver bem, deva ser contada entre os bens.” “Esse movimento não vem de Deus. Mas de onde vem ele? A tal questão eu te contristaria, talvez, se te respondesse que não o sei. Contudo, não diria senão a verdade.Pois não se pode conhecer o que é simplesmente nada.” ( livre-arbítrio, p.143)
“Com efeito, não pode existir realidade alguma que não venha de Deus. De fato, em todas as coisas nas quais notares que há medida, número e ordem, não hesites em atribuí-las a Deus, como seu autor.” ( livre-arbítrio, p.142)

“Ora, todo bem  procede de Deus. Não há, de fato, realidade alguma que não proceda de Deus. Considera, agora, de onde pode proceder aquele movimento de aversão que nós reconhecemos constituir o pecado – sendo ele movimento defeituoso, e todo defeito vindo do não-ser, não duvides de afirmar, sem hesitação, que ele não procede de Deus.” ( livre-arbítrio, p.143)

“Pois não se pode conhecer o que é simplesmente nada.” ( livre-arbítrio, p.146)
ou seja, o mal é apenas distanciamento de Bem supremo, mas em si, ele não existe, ele vem de lugar nenhum. Não existe realidade alguma que não venha de Deus. E sendo Deus perfeito, então, a realidade inicial é perfeita. Assim, se acontece a supressão total do bem, o que restaria não é um quase nada, mas sim um absoluto nada. 




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